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Deserto de saará, 2016.

Lambe lambe ( impressão sobre papel colado na parede) de texto escrito por meio do apagamento das palavras de um dicionário enciclopédico brasileiro ilustrado.

87 x 68 cm (cada).

 

   "Deserto de Saará" é um texto composto por 20 ampliações de 20 páginas de um dicionário enciclopédico brasileiro ilustrado, de autoria, editora, edição e ano de publicação desconhecidos. O texto é construído a partir do apagamento pelo Liquid paper. Apenas algumas palavras e sentenças são deixadas legíveis. Assim, os espaços não velados constroem uma narrativa de um personagem cuja as lembranças se vem cercadas por um colecionismo de objetos e fotos desconexos de sentido. As lembranças dessas coleções são truncadas, falhas e falsificantes.

   A aridez das páginas envelhecidas é sobreposta por linhas brancas, um desenho de dunas que criam pausas e ritmo a um texto cuja as partes faltam. O sentido do texto é então comprometido oras pela incerteza ou pelo silêncio do narrador. Assim, as dunas acabam por propor uma narrativa que se revela em meio a essa brancura da velatura pelo liquid paper.

   Penso que nesses espaços brancos, possa haver uma potência para uma construção, do mesmo modo que o deserto é o lugar da miragem. Afinal, não seria das areias do deserto que Xerasade narra suas histórias? Em que Xerasade dá forma a realidade que não se opõe a ficção, mas que constrói a memória, a lenda e o monstro?