1/7

-Quem brinca com água pérfida se afoga, 2017

Intervenção realizada durante a residência no Instituto Sacatar, Itaparica, Bahia. 

faixa - 70 x 500 cm

 

"Quem brinca com água pérfida se afoga, quer se afogar..." é uma passagem do livro "A água e os sonhos" do filósofo e poeta francês Gaston Bachelard. Nesse trecho em específico discute sobre a condições dos afogados e da água enquanto substância que dissimula. Partindo dessa leitura e desse convívio diário com o mar e o mangue, me interessava pensar nessa sensação da água enquanto matéria traiçoeira, que é linda, seduz e fascina, mas também afoga,

- "E encantada, um afogado pensativo, às vezes desce...". 

A água é o elemento que se oferece a mistura com maior facilidade, é então penetrada pela escuridão da noite e se torna turva em suas profundezas. Mesmo na luz do dia, preserva essa combinação que faz com que o fundo dos lagos sejam noturnos, os rios negros e as marés de trevas. Ela comunga com os poderes da noite... se torna pérfida nessa mistura.